Saúde mental na infância

Transtornos Psicológicos como ansiedade, estresse e depressão, também acometem crianças.

Reprodução Freepik

“Gostaria de voltar a infância, quando não tinha problemas e a vida era mais fácil”. É o que comumente ouvimos de muitos adultos, porém a realidade não é bem assim. Crianças também convivem com problemas e vivenciam adversidades que podem acarretar negativamente a saúde mental. 

A psicóloga Arlete Lima, especialista em Psicoterapia em crianças e adolescentes, destaca que nem mesmo as crianças estão isentas da depressão. “O diagnóstico não é simples. Normalmente, ele é feito depois dos cinco anos de idade, e as causas são multifatoriais, como vulnerabilidade do sistema nervoso central, fatores genéticos e ambientais. A apresentação dos sintomas da depressão depende da idade e do nível de maturidade da criança” disse. 

Ainda que existente, a depressão não é o distúrbio psicológico mais predominante em crianças. De acordo com Arlete, os Transtornos do Neurodesenvolvimento (transtorno de aprendizagem, TDAH, Autismo, dentre outros), de ansiedade, estresse, humor e obsessivo-compulsivos são os mais comuns na infância. A também psicóloga, Sara Araújo, conta que “hoje, mais de 90% das crianças que eu atendo estão ligadas a algum transtorno de ansiedade”.

Em relação a depressão, Sara menciona a importância de observar os comportamentos. “A depressão normalmente é caracterizada pela falta de energia, mas nas crianças também pode haver uma mudança repentina no comportamento no sentido da irritabilidade. A criança ainda não conhece, não sabe lidar com suas emoções, o adulto é que vai nomeando para ela o que está sentindo. Por isso é muito difícil a verbalização e se torna muito importante observar os comportamentos” disse. 

Sabe-se que a saúde da mente também é quesito importante, e até mesmo indispensável, para boa qualidade de vida. E por isso, os cuidados devem ser iniciados o quanto antes, principalmente quando percebidos sintomas e comportamentos que sinalizam instabilidade psicológica. “Um olhar atento às mudanças repentinas de comportamento da criança é fundamental para decidir procurar um especialista e relatar o ocorrido. A partir de então, o profissional poderá investigar se há algo errado e recomendar o tratamento adequado” ressaltou Arlete. 

No tratamento desses problemas, quando diagnosticados por um profissional, a terapia infantil quase sempre é recomendada. “Primeiro acontece um anamnese, uma conversa com os pais, porque não atendemos a criança sem atender os pais. Assim vamos entendendo como é o ambiente da criança, quais as dificuldades, a história dela. E a partir disso montamos um planejamento de terapia, sempre damos feedback para os pais” contou a psicóloga Sara. 

Ainda sobre a terapia, Arlete menciona que “os procedimentos empregados são variados, depende muito de cada profissional e do vínculo terapêutico criado, com vistas a traçar intervenções não só com a criança como também com a família”.

A psicóloga Arlete listou alguns sinais que podem indicar problemas na saúde mental da criança. Sendo eles: 

  • Mais dificuldade na escola; 
  • Batendo ou intimidando outras crianças;
  • Tentando se machucar (comportamentos automutilantes);
  • Evitando amigos e familiares;
  • Mudanças frequentes de humor;
  • Com emoções intensas, como explosões de raiva ou medo extremo;
  • Sem energia ou motivação;
  • Com dificuldade em se concentrar;
  • Com dificuldades para dormir ou está tendo muitos pesadelos;
  • Com queixas de dores ou desconfortos físicos;
  • Negligenciando a aparência;
  • Obcecada com o peso, a forma ou sua aparência;
  • Comendo significativamente mais ou menos do que o normal.

Listou também, alguns indícios de que a criança pode estar deprimida:

  • Reclama de dores de cabeça ou enxaqueca;
  • Apresenta tristeza constante;
  • Relata ter dores abdominais;
  • Faz xixi na cama com frequência;
  • Eventualmente há vazamento de fezes sem que a criança se dê conta;
  • Demonstra irritabilidade; 
  • Aparenta ter perdido o prazer de fazer coisas que antes gostava;
  • Apresenta manha;
  • Tem dificuldade de ficar longe dos pais;
  • Sofre com fobias diversas;
  • Fica indecisa;
  • Tem grandes variações de peso;
  • Passa a comer menos ou mais do que o habitual;
  • Tem dificuldade de concentração;
  • Prefere se isolar a brincar com outras crianças;
  • Mostra-se cansada com frequência;
  • Não quer mais ir à escola. 

Lorraine Lemos

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