Depressão Pós-Parto

Fonte: Reprodução/Freepik

A depressão pós-parto é uma psicopatologia que atinge as mulheres após o nascimento do bebê. Em alguns casos, ela pode começar muitos meses depois, ou até um ano após o parto. A mulher se sente extremamente triste, apresenta irritabilidade, choro fácil, além de perder o interesse pelas atividades diárias e pelo bebê. 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão pós-parto atinge de 12 a 20% das mulheres. No Brasil, segundo estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz, o transtorno acomete mais de 25% das mães. 

Os quadros mais leves e transitórios são conhecido como Blues Puerperal ou Baby Blues, chega a acometer cerca de 50% a 80% das mulheres no pós-parto. Ele têm início nos primeiros dias após o parto, com duração de até 15 dias, desaparecendo espontaneamente ou permanecendo, o que significa o início de uma depressão pós-parto. 

Já a depressão pós-parto em si, é mais grave e requer mais cuidado e manejo. Os sintomas são similares aos do transtorno depressivo maior, caracterizado por: 

  Mudança de humor;

Irritabilidade;

Raiva;

Tristeza extrema;

Vontade se isolar; 

Choro frequente;

Insônia ou hipersonia; 

Inapetência ou apetite aumentado;

Ausência de demonstração de afeto com o bebê;

Sentimento de culpa;

Incapacidade para cuidar de si e do bebê;

Falta de prazer nas atividades diárias. 

Porém pode variar de pessoas para pessoa. Em alguns casos, a mulher não aceita que as pessoas se aproximem dela e do bebê em um ato de superproteção. Em outros acontece o contrário, ela rejeita a criança.

Em casos raros e mais graves, pode surgir um distúrbio mais chamado de psicose pós-parto que afeta principalmente as mulheres com distúrbio bipolar ou histórico de psicose pós-parto anterior. A mãe coloca a vida do bebê e a própria vida em risco. Elas não fazem a relação do real e o que é imaginário. Neste caso a mulher pode apresentar os seguintes sintomas:

Alterações do sono;

Pensamento confuso e desorganizado;

Pensamentos suicidas;

Vontade extrema de prejudicar/fazer mal ao bebê, a si mesma ou a qualquer pessoa;

Mudanças bruscas de humor e comportamento;

Alucinações, que podem ser visuais, auditivas ou olfativas;

Pensamentos delirantes e irreais.

Margô sofreu com a depressão pós-parto nas duas gestações. No nascimento do primeiro filho, ela veio de forma mais branda e passageira. Cinco anos depois, ao ganhar o segundo filho, ela vivenciou a doença de forma mais grave junto com a psicose. Ela relata que era angustiante ver que não conseguia mais realizar as atividades simples do dia-a-dia e que a cada vez que olhava para o seu bebê, o desespero aumentava. “Mesmo sabendo que era a minha obrigação cuidar e que ele dependia totalmente de mim, eu não conseguia. Era como se algo me impedisse de ficar com ele, um sentimento de rejeição”, cita. 

Ela conta sofreu muito com alucinações e o medo constante. Além de perder a vontade de viver, e infelizmente, chegar ao ponto de tomar veneno de rato para acabar com a própria vida. “Eu queria me matar não por covardia, mas por vontade de acabar com aquela dor que eu sentia. Queria que toda aquela loucura acabasse”, destaca Margô. Diante da gravidade, a família procurou ajuda psiquiátrica. Ela fez acompanhamento e uso de medicamentos por um ano. Neste caso, a atenção e intervenção da família foram essenciais para salva a vida de Margô e de seu bebê. “Se não fosse o apoio da minha família, hoje eu poderia estar internada ou nem estaria viva”, conta emocionada. 

A psicóloga Lorena Mozzer período relata que o pós-parto é um momento delicado na vida de toda mãe por causa da grande desregulação hormonal, mudanças na rotina, privação do sono, cuidados com o bebê e amamentação. “A mulher fica vulnerável e muitas das vezes ela se despersonaliza, se perde de si mesma. Ela acaba se tornando apenas mãe ou não consegue fazer a transição de mulher e mãe”, cita.  

Os fatores externos e ambientais podem potencializar o desencadeamento da depressão pós-parto. Por isso a importância de voltar a atenção para a mãe e não apenas ao recém-nascido. É fundamental que a mulher deve ser acompanhada com respeito e sem pressão. Muitas vezes, ela não consegue enxergar que está em um processo depressivo e precisa de ajuda, pelo fato de estar vivenciando inúmeros fenômenos e coisas novas. Por isso é de grande relevância o apoio e a empatia da rede familiar. 

O diagnóstico pode ser realizado pelo próprio obstetra que acompanhou a mulher durante a gestação e o parto. Ele a encaminhará aos profissionais especializados para tal processo. O tratamento da depressão pós-parto acontece por meio de psicoterapia, que é o acompanhamento psicológico e/ou por meio do tratamento farmacológico, onde um psiquiatra receita o uso de antidepressivos específicos para lactantes. Assim como a junção de ambos acompanhamentos pode potencializar os resultados. 

Infelizmente muitas mulheres acabam seguindo o senso comum, por existir o estigma que o uso de antidepressivos dopam, viciam e podem fazer mal ao bebê por estarem amamentando, o que não condiz com a realidade. “Todo tratamento pode ser realizado sem riscos ao bebê e a mãe. O prejuízo maior é não cuidar dessa mãe neste momento”, destaca Lorena. 

A depressão pós-parto não possui uma causa específica e toda mulher pode ser acometida por ela, porém, a que tem depressão ou já teve algum episódio depressivo ao longo da vida, tem uma tendência aumentada de no pós-parto desenvolver o quadro. Além disso, ela pode acontecer após qualquer parto – não necessariamente só no do primeiro filho. 

Segundo a psicóloga Lorena Mozzer, é muito importante a conscientização de que a depressão é uma doença como qualquer outra e deve ser tratada corretamente. “Você está com esse adoecimento, mas você não é a doença. Você não é a depressão e deve cuidar disso”. 

Lorena Silva

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