Como manter a saúde mental durante o período de isolamento

Fonte: Reprodução/Image Team

Não dá para negar que são tempos difíceis para toda população mundial. Os últimos acontecimentos têm afetado muito a saúde mental das pessoas, consequentemente, aumentando os casos de ansiedade e os depressão de todos, pois a incerteza do amanhã faz com que todos se sintam inseguros e desprotegidos. 

Muito antes do surgimento do coronavírus, já haviam dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontando que o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Cerca de 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. E agora? Como ficou a situação em tempos de isolamento? De acordo com um editorial publicado recentemente no The New England Journal of Medicine, um dos periódicos científicos mais respeitados no mundo, o número de pacientes que sofrem com doenças psicológicas aumentaria globalmente por causa da quarentena. 

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) fizeram um estudo com cerca de 1460 pessoas usando uma triagem psicológica online. A incidência inicial de depressão e ansiedade era de 4% a 5% e os números dobraram em apenas 20 dias. Imagine agora que já são longos seis meses de isolamento social. Um crescimento alarmante! O medo da infecção, o tédio causado pela quarentena, a incerteza do futuro e as dificuldades financeiras causadas pela pandemia da Covid-19, são os principais fatores para o aumento dos casos de depressão e ansiedade no período atual. 

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) realizada no mês de junho apontou que 47,9% dos psiquiatras tiveram aumento no número de consultas. Esta pesquisa também revelou que 89,2% dos psiquiatras identificaram que seus pacientes tiveram os sintomas agravados no período da quarentena e que 70% dos profissionais afirmaram ter recebido pacientes que nunca tinham apresentado sintomas psiquiátricos anteriormente. 

Rafaela Taveira, de 23 anos, conta que neste período de isolamento social, seu quadro de ansiedade agravou muito. O fato dela sofrer com claustrofobia ainda piora tudo. “Ficar em isolamento dentro de casa tem sido muito difícil”, conta. Segundo ela, seu maior problema é sempre querer saber tudo “Fico lendo notícias o dia inteiro, mas isso suga completamente minha energia. Eu fico esgotada e não consigo ser produtiva, isso me deixa muito mal, me sinto muito culpada. Ler as notícias ruins o tempo inteiro é muito desgastante, e eu não consigo parar de pensar nas pessoas que são mais afetadas por essa situação. Tento me policiar e resolvi separar um único momento do dia pra ler as notícias”, afirma. 

Na tentativa de amenizar a ansiedade, Rafaela tem buscado trabalhar com arte, pintar, fazer cursos online e estudar mais sobre assuntos leves. Outra coisa que tem lhe ajudado muito é a sua fé. “Faço minhas orações, acendo minha vela e peço meus guias para me tranquilizarem”, destaca. 

Neste momento de caos, o acompanhamento de profissionais da área psicologia e psiquiatria tem se destacado e sido mais valorizado. É muito complicado lidar com esse turbilhão de emoções sozinho. De acordo com Rafaela, tudo vira gatilho pra desencadear crises de ansiedade. “A gente começa a achar que tá ficando louco. Não dá pra continuar a quarentena sem apoio profissional”, relata. 

O aconselhável é buscar alternativas para amenizar a ansiedade e os sintomas de depressão na tentativa de viver de maneira saudável, além de procurar os pontos positivos existentes e aprendizados que podem ser adquiridos com toda esta situação. De acordo com a psicóloga, Naiara Xavier, é importante manter a mente ocupada, como por exemplo realizar as atividades domésticas, atividades físicas e praticar a meditação.  Além disso, o tempo também pode ser aproveitado para colocar séries em dia, assistir filmes e ler livros que na maioria das vezes não havia tempo por causa da correria do dia-a-dia. 

“Fazer ligações de vídeo chamada são extremamente importantes para diminuir o impacto causado pelo isolamento social”, destaca Naiara. A respiração diafragmática também é uma importante aliada para controlar a ansiedade e o estresse. Conhecida também como a “respiração abdominal” é considerada a forma de respiração mais adequada. Ela é um excelente exercício relaxante, capaz de atingir todo o sistema nervoso e equilibrar as emoções. Para isso é preciso seguir o passo a passo abaixo:

  1. Escolha uma posição que seja confortável para você: sentado com a coluna ereta ou deitado;
  2. Coloque a mão sobre o abdômen, entre o umbigo e o esterno, para sentir a movimentação abdominal durante a respiração;
  3. Inspire pelo nariz contando até quatro. Sinta o ar encher os pulmões e o abdômen subir;
  4. Segure o ar dentro dos pulmões por dois tempos;
  5. Expire pela boca, esvaziando os pulmões e a barriga, contando até quatro novamente;
  6. Repita o processo duas ou três vezes, depois continue respirando pelo abdômen sem contar tempos.

O acompanhamento com um psicólogo e/ou psiquiátrico é de grande relevância às pessoas que sofrem com transtornos de ansiedade e/ou depressão. O problema é que o isolamento impediu o contato físico entre os profissionais e seus pacientes, porém a tecnologia logo trouxe a solução. As psicoterapias físicas e consultas psiquiátricas, se tornaram on-line, seguindo a mesma ética e sigilo profissional. Os benefícios destacados por Naiara são a praticidade de poder falar de onde estiver; evita deslocamentos e aglomerações nas clínicas e consultórios; o profissional consegue atender a mais pessoas por dia; otimiza o tempo de ambos; além de ter a mesma eficácia.

Procure ajuda, você não está sozinho!
Lorena Silva Pinto

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