Casos de ansiedade e depressão sofrem aumento durante a pandemia

Minas Gerais é o segundo estado com maior número de busca pelos termos “ansiedade” e “depressão” no Google, de acordo com o Google Trends.

Pessoas preocupadas, sentindo ansiedade e medo sobre o coronavírus. Ilustração para representar ataques de pânico, ansiedade e depressão causados pela pandemia.
Fonte: Freepik/Pch.vector

Em 2019 o Brasil já era considerado o país mais estressado e ansioso da América Latina. Em uma realidade pandêmica, os dados apenas reafirmam essa posição. Segundo a pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), realizada online entre os dias 20 de março e 20 de abril deste ano, os casos de depressão quase dobraram e os de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%.

O levantamento que contou com a participação de 1.460 pessoas de 23 estados do país, também reafirma o crescimentos dos casos ao longo da pandemia. Na primeira semana da pesquisa, 6,9% dos entrevistados relataram sintomas de estresse agudo. Já na última semana do questionário, o número de colaboradores que relataram o mesmo sintoma subiu para 9,7%.

O crescimentos também foi relatado nos casos de depressão, que houve o aumento de 4,2% para 8%. Nos casos de crise aguda de ansiedade, o salto foi de 8,7% para 14,9% da população. Os percentuais médios esperados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são de 8,5% para estresse, 7,9% para ansiedade e 3,9% para depressão.

Procura por ajuda especializada

O aumento dos casos de ansiedade e depressão no período de pandemia e isolamento social vem acompanhado também do aumento da busca por ajuda profissional e especializada. Os dados da pesquisa realizada em maio deste ano pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostram que 47,9% dos psiquiatras entrevistados relataram aumento nos atendimentos realizados após o início da crise da COVID-19.

A pesquisa que ouviu psiquiatras de 23 estados e do Distrito Federal ainda destaca que 89,2% dos médicos colaboradores relataram agravamento de quadros psiquiátricos nos pacientes. O médico psiquiatra, Murilo Costa Loureiro, relata que a procura pela avaliação psiquiátrica tem sido maior após o início da pandemia. “Isso mostra de forma clara o sofrimento psíquico que iniciou em alguns pacientes e a piora de quadros anteriormente estáveis que já estavam em tratamento. A intensidade da dor psíquica é uma das razões da procura pelos atendimentos que em meio à pandemia aumentaram.”, afirma Murilo.

Tristeza ou depressão?

Alguns sentimentos são comuns ao período de pandemia, como por exemplo a tristeza, desânimo e desamparo. Apesar do autodiagnóstico não ser a melhor opção, a psicóloga e pós graduanda em psicopedagogia, Káren Dianne, afirma que “é possível também que a pessoa se observe: os seus comportamentos, sentimentos, o seu eu. Ao se observar é possível perceber se essa dificuldade ou problema está afetando a sua vida pessoal e interpessoal, sua relação com você mesmo e/ou com outras pessoas”.

Mesmo que exista mais de um sintoma, nem sempre há uma patologia instalada. De acordo com o psiquiatra Dr. Murilo, “o que gera o diagnóstico em saúde mental é a somatória dos sintomas, a funcionalidade prejudicada e a intensidade do sofrimento. Tristeza sozinha não significa depressão. A somatória de alguns sintomas e sinais que evidenciam sofrimento e completa os critérios diagnósticos podem sim traduzir a patologia. Devemos ter cautela com o diagnóstico em momentos como este da pandemia”. 

O que fazer?

Quando esses sentimentos vêm em grande intensidade e sem intervalos é necessário olhar para eles com atenção e cautela e ter também um olhar profissional. De acordo com a psicóloga, Káren Dianne, “a patologia deve ser identificada por um profissional da área e as pessoas devem evitar o autodiagnóstico, pois, acontecem casos em que as pessoas fazem isso e aparecem novos sintomas que são identificados dentro do diagnóstico”. 

Apesar da busca por apoio profissional ser primordial para o tratamento de depressão e ansiedade, a escuta acolhedora pelos familiares e amigos são fundamentais para a promoção da saúde mental. “Quando deparamos com algum caso de alterações emocionais em algum conhecido, amigo ou familiar, a escuta é o maior apoio. A paciência é o melhor remédio.” afirma o psiquiatra Dr. Murilo.

Aqueles que procuram ajuda gratuita, podem encontrar por meio dos canais de apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferecem atendimento com psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas.

Maria Teresa Xavier

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