Os subtipos da depressão

A diferença entre eles e o tratamento

Fonte: Reprodução/Image Team

De acordo com o psicólogo Victor Campos, a depressão é considerada um ‘termo guarda-chuva’, pois abrange uma variedade de transtornos mentais que têm em comum o humor rebaixado, triste e vazio. Além destas características de humor, existem características específicas que diferenciam cada um destes transtornos. 

Os subtipos da depressão são: 

  • Transtorno depressivo maior é considerado o mais comum. Pode ser identificado a partir de duas semanas. Principais sintomas: 

1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. ex., parece choroso);

2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas);

3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta, redução ou aumento do apetite quase todos os dias;

4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias;

5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento);

6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;

7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente);

8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas);

9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

  • Transtorno depressivo persistente – também conhecido como Distimia. É crônico e os episódios perduram no período mínimo dois anos. Principais sintomas:

1. Apetite diminuído ou alimentação em excesso;

2. Insônia ou hipersonia;

3. Baixa energia ou fadiga;

4. Baixa autoestima;

5. Concentração pobre ou dificuldade em tomar decisões;

6. Sentimentos de desesperança.

  • Transtorno depressivo induzido por substância e/ou medicamento, é uma depressão decorrente por uso de medicamentos, outras substâncias químicas e drogas. Caracterizado por efeito colateral de medicamentos, por exemplo: para ansiedade, para pressão arterial, anticonvulsivantes, uso de drogas, dentre outros. 
  • Transtorno devido a outra condição médica, é uma depressão secundária. Caracterizado por efeitos colaterais doenças crônicas e/ou traumatismos, como AVC, traumatismo craniano, esclerose, parkinson, dentre outros.

Diagnóstico 

O diagnóstico é realizado por um psicólogo ou psiquiatra por meio de coleta de informações e avaliação das características. Não existe exames laboratoriais específicos para diagnosticar a depressão. Diante suspeita, o indicado é procurar ajuda técnica imediatamente. 

-“É de grande relevância procurar ajuda técnica sob de suspeita. O profissional poderá diagnosticar e ajudar o paciente de forma correta. É importante tratar a suspeita realmente como suspeita e se atentar às características apresentadas”, salientou Dr. Victor Campos. 

Tratamento

Um ponto importante que diferencia no tratamento de cada um destes transtornos, além das características específicas, é como eles surgiram e o que os mantém ao longo da vida de cada pessoa. Um fator que deve ser muito bem observado durante o tratamento. Para depressão no geral, existem duas linhas importantes de tratamento que são o Farmacológico: que atua diretamente nos sintomas e o Psicoterapêutico: que atua na raiz do problema, nas emoções e nos sentimentos. 

No tratamento psicoterapêutico, o paciente adquire autoconhecimento, aprende a lidar e a reconhecer suas próprias emoções. Além disso, é possível alcançar a raiz, o ambiente e a história de vida da pessoa para que seja identificado como o subtipo da depressão se desenvolveu e com isso manejar as especificidades do transtorno. O objetivo geral é promover o alivio dos sintomas por meio de intervenções psicológicas que podem variar de acordo da abordagem psicoterapêutica, pois cada uma tem suas próprias técnicas e caminhos a seguir. De acordo o Dr. Victor Campos, cada uma delas entende o ser humano de uma forma, com seu próprio modelo teórico e psíquico do ser humano. 

São elas:

  • Psicoterapia comportamental: tem como objetivo prestar atenção tanto nos eventos ambientais antecedentes para explicar o que a pessoa faz e o que sente quando faz alguma coisa. É um processo de aprendizagem sobre você mesmo e como desenvolver novos comportamentos. É a forma de aumentar sua capacidade de agir da forma que você quer agir;
  • Psicoterapia cognitiva-comportamental: tem como objetivo identifica os conflitos, observar os fatores ambientais que estão mantendo a depressão e ao mesmo tempo, o quanto os pensamentos e o modo de perceber as coisas, influenciam no que ela sente;
  • Psicoterapia de orientação psicanalítica: tem como objetivo melhorar a relação entre o paciente e a sociedade. São aliviados os sintomas do transtorno e o paciente tem mais qualidade de vida.

Já a intervenção farmacológica é caraterizada pelo uso de medicamentos receitado por um profissional de psiquiatria após consulta e diagnóstico. A prescrição de antidepressivos irá depender da intensidade e frequência dos episódios depressivos. Segundo pesquisas, os antidepressivos produzem, em média, uma melhora dos sintomas depressivos de 60% a 70%, no prazo de um mês de uso. Não há diferenças significativas em termos de eficácia entre os diferentes tipos de antidepressivos, mas em termos de efeitos colaterais, preço, risco de suicídio, tolerabilidade, varia bastante o que implica em diferenças na eficácia da medicação em cada paciente.

A junção do tratamento farmacológico e psicoterapêutico dialogam muito bem, pois um complementa o outro. Enquanto um trata os sintomas físicos, o outro trata a raiz do problema e desta forma alcançam êxito nos resultados. Vale lembrar que, de acordo com pesquisas, o tratamento psicoterapêutico previne mais as recaídas do que apenas o uso de medicação. De acordo com Larissa, uma jovem que enfrentou a depressão por muito anos, a cura que ela buscava foi alcançada nas sessões de psicoterapias, a medicação ajudou apenas nos sintomas físicos que ela apresentava. 

-“O uso dos remédios me ajudaram muito, porém as psicoterapias foram essenciais para curar o que desencadeavam a depressão em mim”, citou.

Prevenção

Para prevenir a depressão e/ou evitar recaídas, existem os denominados fatores de proteção. Eles são classificados como:

  • Fatores pessoais: a resiliência, as habilidades sociais, as de resolução de problemas, as de comunicação, o autoconhecimento, a assertividade. 
  • Fatores ambientais: Escolaridade, condições de vida, qualidade de vida, acesso a saúde e a educação.
  • Fatores comportamentais: Prática de atividades físicas e planejamento da rotina. 

Lorena Silva

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