Setembro Amarelo: Mês de prevenção ao suicídio

A campanha é marcada por diversas ações de mobilização voltadas a saúde
mental.

Fonte: Freepik

A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo, o que corresponde a 800 mil suicídios por ano. É a segunda maior causa de morte em pessoas de 15 a 29 anos de idade. Esses números, divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não representam fielmente a realidade atual, pois, além de serem referentes ao relatório de 2016, existem muitas outras tentativas e óbitos que não chegam a ser contabilizados como suicídios.

O presidente da LAPSIQ (Liga Acadêmica de Psiquiatria do Unipam), Carlos Eduardo Soares, ressalta a importância de estratégias específicas de combate ao suicídio. “Esses números são altos, e se fizermos uma análise da porcentagem, 79% ocorrem em países subdesenvolvidos de média e baixa renda, o que significa que nesses países, onde as estratégias específicas de combate ao suicídio se fazem presentes, esses números estão altos. Já é comprovado que falar sobre o suicídio como forma de preveni-lo é essencial e conscientizar a população é a melhor forma de abordar o tema” destacou. 

Os dados são alarmantes e o tema ainda é tabu na sociedade, sendo pouco discutido. O preconceito e a falta de informações sobre o assunto impedem muitas pessoas de procurarem ajuda. Na busca de amenizar este problema e reduzir os casos de suicídio no mundo, a OMS definiu a data de 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. 

Aproveitando a data escolhida pela OMS, no ano de 2015 o CVV (Centro de Valorização da Vida)CFM (Conselho Federal de Medicina) ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), criou o setembro amarelo. Campanha dedicada a prevenção ao suicídio, com o propósito de dar mais visibilidade a causa e informar a sociedade através de ações que acontecem durante todo o mês.

De acordo com o psicólogo Wendell Silva, “a campanha do Setembro Amarelo simboliza ações que devem ser realizadas durante todo o ano. Com o propósito de quebrar o tabu do tema suicídio, mobilizar a população a respeito da seriedade de psicopatologias, como a depressão, e conscientizar de que a busca por ajuda é sempre a melhor saída”.  

Da mesma forma, a psicóloga e coordenadora do CAPS II (Centro de atenção psicossocial) de Patos de Minas, Priscila Vilas Boas, destaca a importância de a campanha ser sustentada durante todo o ano. “O setembro amarelo também é importante em razão da visibilidade do assunto, mas acredito que todas as campanhas, na lógica da saúde pública, precisam ser sustentadas diariamente, ao longo do ano todo. A campanha vai tendo sucesso na medida em que consegue fortalecer os serviços de saúde e a rede de cuidado as pessoas. Os profissionais da ponta precisam estar capacitados e os serviços precisam estar funcionando de forma que mantenha a consciência também no restante do ano” disse. 

Ações de Mobilização

Desde o primeiro setembro amarelo, a campanha conquistou grande espaço. Conseguiram iluminar monumentos históricos, pontos turísticos, o Cristo Redentor, espaços públicos e privados no Brasil inteiro. Centenas de pessoas, do norte ao sul do país, se envolvem participando de caminhadas e ações de conscientização.

Em Patos de Minas não é diferente, diversas mobilizações são realizadas em razão do setembro amarelo. A LAPSIQ é um dos movimentos que anualmente realizam ações de conscientização. Neste ano, terão como parte da programação lives com participação de profissionais da saúde mental. Essas serão transmitidas pelo Instagram @lapsiqunipam. Também serão realizadas aulas voltadas para os estudantes de medicina e demais profissionais da saúde, com conteúdo teórico, oferecido por psiquiatras parceiros da Liga. 

“Com a pandemia da Covid-19 falar sobre o tema se tornou  ainda mais importante, diante do aumento dos casos dos fatores de risco acerca do suicídio. A gente teve aumento de casos de depressão e ansiedade. O Setembro Amarelo neste ano de 2020 ele se torna ainda mais essencial e importante do que nos outros anos, justamente por causa dos fatores de risco” disse o presidente da LAPSIQ, Carlos Eduardo Soares.   

O Centro de Atenção Psicossocial do município também promove eventos voltados a prevenção do suicídio. “Nos demais anos conseguíamos ter uma diversidade de intervenções relacionadas ao setembro amarelo, fazíamos conferências, seminários com profissionais, capacitação, passeatas, blitz informativas e também palestras. Neste momento de pandemia há uma limitação em relação a essas práticas, porém, nas ações individualizadas que continuam acontecendo, estamos levando o tema para discussão e reflexão junto aos usuários e seus familiares. Foi o que visualizamos que seria possível nesse momento de pandemia” relatou a coordenadora do CAPS II, Priscila Vilas Boas.

Lorraine Lemos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s